quinta-feira, 29 de setembro de 2005

Sempre tive medo de fazer escolhas. Esse medo vem porque sei que qualquer detalhe, qualquer passo em falso pode alterar significativamente uma vida; prá boa, ou prá ruim, ou ainda prá outros mil adjetivos. É até estranho pensar no que foi, e no que poderia ter sido. O não aconteceu é um mistério e o ser humano é curioso, por isso tanta gente vive à procura da máquina-de-voltar-no-tempo. Acho que errar é realmente o meu maior medo, porque meu histórico já traz algumas falhas, e de todas elas me arrependi bastante - sempre fiquei sofrendo as conseqüências dessas más escolhas por algum tempo. Porém, com decisões mal tomadas aprendi que os dias que passam curam, ou deixam menores, os resultados das besteiras que fazemos. Sei que erros fazem parte da nossa natureza, mas ninguém gosta de perceber que não estava certo, nem de ter que mudar tudo e recomeçar. Recomeçar aliás é outro ato que me deixa assustada. Refazer, reconstruir, remodelar... tudo isso é apavorante prá quem pensa que já tem um futuro traçado. Por isso me sinto dividida entre arriscar e jogar tudo pro alto, ou permanecer imóvel e seguir em frente. Decidir por uma mudança pode trazer maravilhas, ou pode me fazer desmoronar.

Em paralelo, sempre achei que escolhas têm a ver com vontade. Domingo passado assisti a um quadro interessante do FANTÁSTICO sobre vontades, então deixo vocês com tal reportagem, enquanto vou pensando nas minhas. Esse post fica assim: aberto, inacabado, sem um final ou uma decisão - porque é assim que tá a minha vida por enquanto.

Ah! Mais uma coisa: a Ariane me disse que ontem foi o dia do profissional de secretariado executivo, por isso, se é verdade, um abraço prá aqueles que por agora são meus colegas.
Hasta la vista, babe!

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sábado, 17 de setembro de 2005

Um dia eu li em algum lugar que as garotas sempre procuram um par que seja parecido com seus pais. Essa verdade não me atingia, até agora. Ou quem sabe já atingia, e eu não havia percebido a presença dela ainda. Têm coisas que, por mais subentendidas que sejam, não nos tocam até determinado momento. E quando vêm, são como uma clareira, e então a gente se pergunta como é que não havia pensado nisso antes. Hoje sei que tenho, no meu pai e na minha mãe, um exemplo de tudo o que preciso, e tudo o que busco em alguém prá amar. Se por um lado tenho a cumplicidade da mãe-amiga, por outro lado tenho os chamegos do pai-orgulhoso. Da mãe a confiança, do pai o carinho. O zelo maternal e a ternura paterna. E o vice-versa também é verossímil, já que o que de um me falta, o outro sempre tenta dar. São qualidades que todo mundo procura num amor, mas ninguém imagina que procure-as justamente por já tê-las. É uma teoria contraditória, mas na qual eu acredito, e assino embaixo. Encontrar essa criatura perfeita é que pode ser difícil, mas afinal, porque é que você acha que as sogras e os sogros do mundo todo dão palpites na vida amorosa de seus próprios filhos – e às vezes até na dos filhos dos outros? Ora, simples: porque querem alguém parecido consigo para quem representa sua maior criação. Porém, o nosso amor não escolhe vítimas, por isso cuidado quando decidir apresentar o seu namorado punk prá mamãe conservadora e pro papai caretão; à primeira vista, eles podem não apreciar muito a sua escolha.

‘Um dia você percebe que há mais de seus pais em você do que você supunha’

(Shakespeare)

Hasta la vista, babe!

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quinta-feira, 15 de setembro de 2005

Apresentação - Minha vizinha da frente tem um gato cinza, uma televisão e uma parede azul. Não que ela só tenha isso, mas isso, ela tem. E toda noite quando chego em casa, lá está ela: sentada na frente da televisão, em cima da qual geralmente encontra-se seu gato cinza, e ao fundo, completando a paisagem divertida, sua parede azul. Ah, e ela sempre fuma um cigarro na varanda.

História - Ontem quando cheguei em casa ela estava lá, na sala, com o gato em cima da tevê e a parede azul ao fundo. Assim que entrei na cozinha ela foi prá varanda e acendeu o cigarro. Assim que entrei na cozinha eu abri a geladeira e peguei meu brigadeiro. Ela e seu vício por nicotina, eu e meu vício por cacau . Parecíamos personagens de um faroeste, ambas com suas munições, ou melhor, suas auto-destruições. É, porque esse duelo não tinha como objetivo prejudicar a oponente, e sim, a nós próprias. E o engraçado é que estávamos as duas com uma garrafinha d'água ao lado, como se pensássemos que essa seria a nossa salvação. Me senti disparando o tiro contra mim mesma e tentando me proteger com um chapéu. Algo mais ou menos como 'também morre quem atira'.

Moral - Tá bom, tá bom: eu tô sendo drástica, exagerada. Mas a história foi justamente prá mostrar que as pessoas têm vícios diferentes. Assim também acontece com suas crenças, suas ânsias, seus medos, suas habilidades e suas escolhas. Eu poderia bem criticar um fumante, e às vezes o faço, mas a cena me fez perceber que a minha gula também faz mal, assim como a nicotina da senhorita da frente. Claro que o prejuízo das duas coisas é em proporções diferentes, mas afinal, o quê hoje em dia não faz mal? Cigarro destrói pulmão e gordura obstui veias. É a mesma coisa. Brigo com meus amigos que fumam, porque sei que fará mal prá eles, mas admito que também é oportuno que eles, se querem a minha saúde, me passem lição de moral. Já que tudo faz mal, ninguém têm privilégios; o que quer dizer que ninguém têm o direito de meter o bedelho na vida de ninguém. Fumantes, homossexuais, comunistas, CADA UM FAZ SUAS ESCOLHAS, e vai pagar por elas se for preciso. Porque 'no fim é só você contra você mesmo'.
Hasta la vista, babe!

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sexta-feira, 9 de setembro de 2005

9+9=18 (uma paródia mal sucedida de 2+2=4)

Sabe, eu costumo planejar as coisas antes de fazê-las. Reflexos da data do meu nascimento, que tornou-me uma virginiana semi-perfeccionista. Tome como exemplo meus posts, que são escritos, lidos, relidos, re-relidos e etc e tal. Geralmente antes de dormir eu penso em duas coisas: no que aconteceu no dia que passou (ou nos dias que passaram) e no que vai acontecer no(s) próximo(s). Dizem que todo virginiano é meticuloso e organizado, e se isso é mesmo verdade eu não fujo à regra. É por esta meticulosidade que, às vésperas de completar dezoito anos, achei estranho eu não ter nem pensado no assunto ainda. Não pensei ainda em como será que é ter dezoito anos. Não pensei em responsabilidades e direitos e todos os blá blá blá's que vêm junto com eles. Não tinha nem pensado num post (até agora, claro) e isso prá mim é inédito!
Fazendo uma retrospectiva desses anos, posso dizer que não fiz muita coisa importante, mas só o que tenho já vale por uma vida inteira:
Amigos daqueles que nunca morrem (mesmo quando morrem, de fato). É, eu tenho.
Uma família daquelas que supera tempestades e que tem força-de-vontade prá se erguer e continuar unida depois da chuva. É, eu tenho.
Maturidade suficiente prá entender que tudo passa, que tudo muda, que algumas coisas voltam, e que outras delas nunca serão as mesmas. É, hoje eu tenho.
Quanto à certeza de que não estou pronta prá muitas coisas que vão acontecer na minha vida? É, isso também eu tenho, mas além, tenho a certeza de que só há uma questão a ser aprendida e praticada quando estas coisas acontecerem. E é a capacidade de adaptação. Prá qualquer coisa que acontecer, o que preciso é de capacidade de adaptação, porque como eu já disse, tudo passa, tudo muda. Algumas coisas voltam, e outras delas nunca serão as mesmas. Acho que ninguém sabe se adaptar completamente às mudanças da vida, mas o mínimo que podemos fazer é tentar, porque muitas coisas às vezes parecem irremediáveis, mas a capacidade de adaptação nos dá o poder de olhar pro irremediável por outro ângulo e ver que ele tem sim conserto. Por isso, um ano mais velha, tô feliz por ver que já tenho tudo isso, e ver que ainda tenho tanto prá conquistar, porque isso só me dá vontade de aproveitar e viver com fervor tudo o que vêm a seguir. Então... resumindo... êêêêêê, parabéns prá mim e... tudo de bom prá mim.

Será que esse post foi egocêntrico? O.o
Ah, mas e daí? Dezoito anos não se faz todo dia :P
Hasta la vista, babe!

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segunda-feira, 5 de setembro de 2005

Com o perdão da expressão, mas essa cidade tá um cu. Tá um caos. Tá um inferno. Tá tudo paralisado! É funcionário da faculdade pedindo aumento, é professor da faculdade pedindo aumento, é motorista de ônibus pedindo aumento, é cobrador de ônibus pedindo aumento... caramba! Daqui a pouco paralisam todos os funcionários públicos, os estudantes, os comerciantes e o escambau! Tá certo que o salário do professor - que deveria ser o profissional mais valorizado pelo fato de formar outros profissionais - não é nada justo, mas se é assim, se todo mundo vai decidir fazer greve objetivando aumento de salários, então não vou mais nem sair de casa, porque não vou mais ter prá onde ir nem o que fazer. Bom, deu prá ver que hoje não foi um dia muito bom, não é? Sem contar que hoje - durante o dia inteiro, segundo a atendente - todas as agências nacionais da Caixa Econômica Federal estão sem comunicação, e por isso nenhum serviço de caixa eletrônico pode ser realizado. Poxa, tô pensando em entrar em greve também (pelo menos assim posso voltar prá Blumenau e rever as amigas e o papai e a mamãe)! Bom, este blog teve uma greve significativa há pouco tempo, então não pode parar tão cedo, mas... ah, já sei! Calma aí...

Tá. Pronto. Então fica aqui o meu 'pronunciamento extraordinário':
Clamo a vós, cidadãos brasileiros que, visando melhores condições sociais, façamos uma paralização geral da nação. Esta será aderida por cidadãos esforçados, honestos e injustiçados, ou seja, exclua-se políticos desta greve. Já que as CPI's estão dando tão certo, deixemo-los trabalhando, enquanto nós descansamos de toda esta confusão. Afirmo que é necessária a participação efetiva de todos nós, para que haja uma maior comoção e responsabilidade do governo para com o povo brasileiro.Greve válida enquanto durarem os estoques (de paciência, é claro).
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sábado, 3 de setembro de 2005

Amor, verbo intransitivo e intransigente!

É mesmo uma sacanagem que a gente não escolha a quem amar.
Parece que o ser humano está destinado, invariavelmente, a sofrer por amor. Porque quem é que nunca sofreu por gostar de alguém? Você conhece alguém? Se conhece, me apresente, porque eu não conheço! A vida em si já é amar, e amar, em si, já é sofrer. Seguindo a linha sofista, eu diria que quem vive, ama, e quem ama, sofre. Acho uma injustiça garotinhas românticas apaixonadas por cafagestes, por homens que não querem compromisso, por galinhas... ou então o inverso: um cara súper sensível apaixonado por uma menina que só quer curtir. Raras são as vezes em que essa contradição não se apresenta. Quando um tá tri apaixonado, o outro não tá dando a mínima. Quando o outro percebe que deveria ter dado a mínima, o um já cansou de esperar. O amor não nasceu prá ser explicado nem questionado, eu sei, mas eu gostaria de saber o que aconteceria se cada um pudesse decidir por quem se apaixonar. Com certeza, continuaríamos sofrendo por amor, mas imagino que as pessoas optariam por gostar de quem gosta delas. Pelo menos é o que eu escolheria. Assim dar-se-ia uma só solução para dois problemas: o de não ser correspondido e o de ser maltratado - romanticamente falando. E é claro que ter nas mãos a oportunidade de escolher já é uma grande coisa. O não escolher, em si, já é uma intransigência do amor. Acredito que o amor possa ser comparado à democracia: ama-se a idéia; ama-se a causa; ama-se a batalha; ama-se o único e ama-se o coletivo; ama-se a possibilidade da vitória; ama-se o êxtase da conquista e ama-se o desfrutar do poder. Porque amar, em si, já é poder. Se a democracia é o melhor caminho, e se o poder de escolha é excencial na democracia, porque não seria excencial no amor que é o sentimento mais profundo, mais individual, mais íntimo, mais terno e mais democrático que um ser humano pode ter?

Só tem um problema... o saber escolher. Mãããs, isso já é outra história.
Hasta la vista, babe!

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