domingo, 5 de março de 2006

Toda família é louca. A minha é louca E engraçada.

Eu queria experimentar trocar de lugar com algum filho-da-mãe por um dia, só prá ver o que tem de parecido entre aquela família e a minha. Prá ver se a mãe daquele filho-da-mãe age igual à minha, e se o pai daquele filho-do-pai tem os mesmos costumes que o meu. Tem muita coisa que acho peculiar da família Magnani-Dezorzi (Magnani de mãe, Dezorzi de pai), e seria legal confirmar que em outras casas as coisas também acontecem desse jeito. Mas seria legal também perceber que existem coisas que só são encontradas aqui.

Uma vez um senhor veio lá no consultório em Florianópolis e ficou conversando comigo. Contou a vida toda dele, contou que a esposa tinha falecido e que ele pensava nela todos os dias, contou que ela deixava tudo arrumadinho prá ver ele feliz, contou que eles moravam num sítio no interior, e mais coisas (ele ficou esperando lá muito tempo, por isso conseguiu contar tudo isso. Sabe como são velhinhos quando estão esperando; falam pelos cotovelos!). Mas o que ele disse que mais me chamou atenção foi que "família a gente nunca deixa prá trás". A união que existe nesse tipo de relacionamento é inquebrável, mesmo que os fatos e os sentimentos apontem o contrário. Porque tá em você. Tá no seu sangue. Tá no seu rosto, nos seus cabelos, nos seus neurônios, nas suas habilidades... tá e vai ficar.

O conceito de família prá mim é muito ligado aos sentimentos de amizade e de sinceridade, desde pequena fui criada com a idéia de que poderia conversar sobre qualquer coisa com meus parentes e por isso nunca precisei esconder nada deles. A relação que meus pais têm também é muito assim, transparente, e sempre me espelhei nisso. Claro que também a privacidade é fundamental e necessária, mas não é possível prá mim imaginar nós quatro (eu, meu irmão, minha mãe e meu pai) sem trocarmos palavras. Uma situação assim me desmontaria completamente. Eu definitivamente não me daria bem no papel de filha revoltada, porque não consigo ficar mais de um dia brava com um deles. Isso falando em família como casa. Nós quatro.

Na família como um todo, também sempre tive muita abertura. Costumo dizer que tenho muita sorte, porque tenho primas e primos especiais. Muita gente não tem a possibilidade ou mesmo a vontade de conversar e de se relacionar tanto com primos como eu. Com alguns mais, com outros menos, mas tenho comigo a certeza de que se um dia eu precisar, todos eles estarão dispostos a ficar ao meu lado.

A partir de todos esses conceitos aí é que fico imaginando como seria um relacionamento sério com alguma outra pessoa. Com certeza meus princípios saíram muito daí, dessas virtudes e desses pensamentos pré-feitos (não perfeitos). Eles precisariam ser respeitados, assim como eu respeitaria os princípios do outro.
Até hoje não sei se quero casar. Não sei se quero ter filhos. Esse "não sei" quer dizer que ainda não descobri o que seria melhor, e não que eu não sinta vontade. Hoje é bem difícil encontrar novos casais que tenham estado juntos há muito tempo. Às vezes você acha que um casal de conhecidos vai ficar junto pro resto da vida, e daí a pouco acaba descobrindo que entre eles as coisas são bem diferentes do que você imaginava. Eu não quero ter algo assim. Fingir que sou feliz. Sorrir prá todos e chorar no banheiro. Por isso que não descobri ainda qual a melhor maneira de se ter uma relação saudável, que acrescente algo prá minha vida, e que também possa ficar monótona sem ficar chata (sim, porque prá mim, a monotonia só parece chata quando as coisas não vão bem).
Bom, não descobri ainda, mas consigo imaginar uma situação bem democrática que me agrada e que não acontece aqui em casa:
Eu, como mulher (no pensamento de alguns) deveria saber cozinhar. Nunca soube. E acho que nunca vou saber preparar algo gostoso. Pelo menos não prá outra pessoa degustar (porque se a gente faz comida ruim, é a gente que come mesmo, não vai reclamar). Sempre brinquei com as pessoas dizendo que tinha que achar um companheiro que soubesse cozinhar, mas na verdade o que imagino de uma refeição "caseira em casal" (quanta consoante!) é cada um individualmente preparando e comendo sua comida, mas compartilhando o momento, estando juntos, tendo essa hora que é considerada familiar realmente como sendo familiar.

Olha eu falando de como deve ser uma refeição familiar! Tinha assunto melhor prá eu trazer, né? Porquê você quereria saber o que eu penso sobre isso, oras? :T

Bem, mas voltando ao "louca E engraçada", que era na verdade o que eu queria dizer com tudo isso:
Hoje cansei de rir com meu pai e meu irmão. Eu que já não gosto nem um pouquinho de rir e não sou nem um pouquinho feliz (uh, imagina!) me estouro, quase me mijo de tanto rir com as besteiras que eles falam ou fazem. Algum dia gravo alguma coisa e mando prá esses programas de trapalhadas. Acho que me rendia um bom cachê! o.O

QUESTIONÁRIO: E você, quais são as loucuras e peculiaridades da sua família?

" Família, família
Papai, mamãe, titia,
Família, família
Almoça junto todo dia,
Nunca perde essa mania
Mas quando a filha quer fugir de casa
Precisa descolar um ganha-pão
Filha de família se não casa
Papai, mamãe, não dão nenhum tostão
Família ê
Familia á
Família
Família, família
Vovô, vovó, sobrinha
Família, família
Janta junto todo dia,
Nunca perde essa mania
Mas quando o nenê fica doente
Procura uma farmácia de plantão
O choro do nenê estridente
Assim não dá pra ver televisão
Família ê
Familia á
Família
Família, família,
Cachorro, gato, galinha
Família, família,
Vive junto todo dia,
Nunca perde essa mania
A mãe morre de medo de barata
O pai vive com medo de ladrão
Jogaram inseticida pela casa
Botaram um cadeado no portão
Família ê
Familia á"

(Titãs - Família)

Hasta la vista, babe!

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