Como mulher, futura publicitária E dona do blog “eu x mundo”, me vejo quase que obrigada a escrever alguma coisa no dia de hoje. Mas prá não cair no clichê, prefiro analisar a situação por outro lado, o lado que hoje fica esquecido: o masculino.
Primeiro porque o 08 de março já é uma data cheia de conceitos pré-estabelecidos, e vocês sabem como eu odeio isso. Tá certo que essa homenagem se transformou numa data comercial, mas por favor não caiam na bobagem de dizer que ela foi "criada" pela publicidade, porque eu prometo que estrangulo vocês (mas só depois de explicar direitinho o real motivo do dia 08 de março prá que esse pensamento ignorante não seja repassado). E segundo, porque a forma que o mundo adotou para parabenizar–nos nessa data representativa (e aqui sim publicidade também tem culpa) demonstra que realmente, indiscutivelmente, ninguém sabe o que uma mulher sente. Nem mesmo outras mulheres. E esse mistério todo parte da individualidade que conquistamos. Não que isso seja algo ruim; tanto homens quanto mulheres precisam de seu espaço para desvendar, entender e julgar as coisas sozinhos. Essa independência fez, entretanto, as mulheres acharem que devem viver sem os homens. Que o mundo não precisa mais da presença masculina. Tá bom que o processo de evolução da tecnologia e do mundo praticamente eliminou a obrigatoriedade da participação ativa do homem na função primária da espécie - a perpetuação, mas você acha que a gente conseguiria viver sem ter um homem ao nosso lado? Seja prá encher os nossos sacos e prá acabar com as nossas paciências e logo em seguida recuperar todas as nossas atenções com um simples chamego, seja pra fazer a gente se sentir bem dizendo como a gente ficou bonita com essa roupa (mesmo que geralmente eles não digam, a gente sabe quando eles acharam que a gente ficou bonita), ou seja pra nos dar apoio (aquele incondicional que a gente procura em todas as pessoas mas geralmente só encontramos em poucas). Ou ainda seja pra nos dar parabéns no 08 de março!
Todos os anos os homens se obrigam a literalmente castrar seu orgulho para dar espaço a um “parabéns pelo seu dia”, a rosas ou a um jantar de comemoração. Isso é bom porque mostra que eles não são os todo-poderosos, mas é ruim porque implanta no nosso ego a ilusão de que nós é que o somos.
Não é meu objetivo enumerar aqui as qualidades do sexo feminino, porque todo o mundo (até o mundo machista) já as conhece, e se não valoriza-as é porque provavelmente tem mais medo delas do que se supõe. Este texto tem simplesmente a função de deixar claro, de uma vez por todas, o que nós queremos: queremos sim direitos iguais, mas que eles sejam realmente iguais, tanto analisando o nosso lado quanto o lado masculino. Porque a parte mais engraçada da situação toda é que as mulheres, que antes eram submissas na família e inexpressivas na sociedade, conseguiram conquistar o direito-de-escolha antes mesmo do que os homens, eles que são até hoje considerados o sexo forte. Após muito tempo lutando para conquistar esse poder de auto-conhecimento e expressão, a mulher se transformou na representante principal da quebra de preconceitos.
E quando não existir mais o preconceito contra as mulheres, prá quem é que você acha que as pessoas apontarão suas ignorâncias? Pros gays, pros negros, pros desempregados... mas também pro homem. Hoje acredita-se que uma mulher que faz o serviço de pedreira não é só uma pedreira, mas sim uma engenheira civil. Já um homem que corta cabelos não é só um cabeleireiro, é também uma biba. E assim a balança fica de novo pendendo prá um dos lados.
quinta-feira, 8 de março de 2007
Sorria, você está sendo filmado por
Cláudia Dezorzi.
, exatamente à(s)
22:49:00
4
pessoa(s) pega(s) em flagrante.
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