Revoltas, idéias, histórias e insanidades - de mim, por mim, e para... vós.
Seja bem vindo(a).
Eu sou a Cláudia, e sim, essa é uma daquelas descrições enormes, então se quiser desistir, essa é a hora certa (não diga que eu não avisei!), porque tô sempre dando uma passada por aqui para “aumentar um ponto”. Oscar Wilde disse que "descrever-se é limitar-se". Concordo, mas se me descrevo é porque, por agora, é isso o que sou. Mesmo que eu seja bem inconstante, metamorfose ambulante. Sempre me considerei uma pessoa eqüidistante: nem tão certa, nem tão errada. Nem tão sã e nem tão louca. Sou preguiçosa e tenho uma grande tendência à velhice precoce - adoro ficar em casa. Não gosto de "fazer social" e parecer feliz quando as pessoas ou os ambientes não me agradam. Mas quem gosta, não é? A gente não é completamente a gente mesmo nem quando tá sozinho, imagine então quando está rodeado de outras pessoas!Não nasci prá falar ao telefone, fico entediada em dois segundos. Sou péssima em despedidas - nunca sei o que dizer e daí sempre acabo me enrolando e falando ou demais ou muito pouco pro que exige a ocasião. Sou exigente, e às vezes prefiro pegar responsabilidades que são de outros prá ter certeza de que as coisas vão sair certas. Procuro ser delicada e paciente, quase que diplomática com as outras pessoas. Acho que tem dado certo. Não é fingimento, é meu jeito mesmo. Ouço muito, não falo tanto (embora às vezes desejasse falar tudo o que fica preso, reticente), perdoo os erros e elogio os acertos. Tenho mil e dois defeitos, mas aprendi a conviver com eles e até a gostar deles um pouquinho. Procuro ser sincera sempre. Não sei mentir, principalmente porque o vermelhão na cara sempre me denuncia. Um probleminha de "incontinência emocional". Não gosto muito, mas no fim, é isso que demonstra aos outros a minha sinceridade. "Só acredito nas pessoas que ainda se ruborizam", diz Nelson Rodrigues. Tenho uma mania, involuntária como todas elas, de bater os dentes no ritmo que tá na minha cabeça. Tenho medo de besouros, e de ficar trancada em elevadores. Tenho medo também de cabeleireiros porque eles tendem a não entender a minha língua: eu falo assim e eles fazem assado (e assado em se tratando de cabelos nunca é muito bom). Acho a maioria dos salões-de-beleza fúteis, mas mesmo assim de vez em quando me obrigo a ir e a escutar as madames fofocarem lendo Caras. Não me sinto muito feminina. Meu cabelo me odeia, e por isso estou sempre com ele preso. Quem já me viu de cabelo solto provavelmente tem intimidade suficiente pra fazer eu não sentir vergonha das madeixas. "Quem é mais sentimental que eu?" Me emociono até em propaganda de margarina. Sou bem insegura e já quis ser "A popular". Hoje sou bem mais seletiva e acho que me conheço o bastante pra saber o que é bom prá mim, mas mesmo assim cometo erros que nem eu mesma perdoo. A cada dia que passa entendo menos sobre relacionamentos amorosos e descubro mais o quanto somos imaturos nesse quesito. Mas amo. Porque aprendi a amar, e aprendi a me apoiar no carinho que sinto por algumas pessoas. É difícil que eu fale sobre meus sentimentos com alguém, porque prá isso preciso sentir que posso contar com essa pessoa. Sou tímida e quieta com as pessoas que não conheço muito bem, mas com quem eu me sinto confortável, sou completamente extrovertida. Faço até piada sem-graça sem medo de não rirem. E olha que em termos de piada, sou um zero à esquerda! Acredito que "o mundo é bão", pro Sebastião e prá nós também, desde que aprendamos a viver nele de forma pacífica e respeitosa. Tenho vontade de mudar muita coisa... participar de voluntariados, ser menos consumista, gastar menos os recursos não-renováveis do planeta e me sentir útil de alguma forma. Utopia, talvez, mas não é necessário deixar o sonho morrer só porque não se começou a realizá-lo. Sonho. Sonho muito. Sonho em morar numa casa com árvores grandes e um lago em frente. Sonho em viajar muito pelo mundo, conhecer culturas, pessoas, gostos, sensações e experiências mil. Se for de mochileira, tendo que aprender a me virar, melhor ainda. Sonho em pular de asa delta e de bungee jumping. Sonho em aprender a falar francês, com direito a biquinho. Sonho em ter um cachorro, todo branco (ou todo preto), que seja bem gordo e malandro. O Euclides :) Não sei nadar, nem dançar, e realmente sou um desastre na cozinha. Recentemente descobri também que não sei dirigir, mas todas essas são coisas que faço questão de não aprender enquanto não for necessário. Adoro ver o pôr-do-sol, as estrelas e a lua. Adoro altura. E fins-de-tarde de outono. Adoro viajar de ônibus - me contento com a demora porque é tempo livre pra pensar, e eu gosto do ócio. Gosto de ter tempo livre e ficar observando as ações das pessoas. Me empolgo quando dá temporal, chuva forte, trovoada ou granizo. Amo muito tomar banho de chuva. Um banho de chuva por mês deveria ser obrigatório. "Cabelo molhado ao vento me refresca o pensamento". Adoro andar de bicicleta, patins, patinete, carrinho-de-rolimã e essas coisas todas que nos fazem sentir o vento batendo no rosto. Não gosto muito de calor, mas morando em Blumenau tive que aprender a me acostumar com ele, e aprender a usar protetor solar, coisa que, sinceramente, odeio! Adoro o frio - especialmente porque é preciso calor humano para amenizá-lo. Adoro suspirar. Adoro aprender. Gosto de crianças e sou paciente com elas. Acredito que ser mãe deva ser a sensação mais maravilhosa do mundo. Mas por enquanto prefiro ficar só imaginando. Em mim, o espírito jovem e o espírito velho se mesclam, às vezes dando origem a um terceiro: o nostálgico. Adoro descobrir bandas novas, mas também adoro quando ouço alguma música que eu não escutava há um tempão. Adoro rever fotos antigas, seja prá rir ou prá chorar. Filas, engarrafamentos, microfonia e etiquetas prá fora da camiseta me deixam irritada. Adoro fazer e receber cafuné. Adoro massagem nas mãos e nos pés. Durmo de barriga prá baixo, e sou bem quieta quando acordo. Gosto de dormir no sofá, mas tenho vergonha que me olhem enquanto durmo. Não ronco, mas babo quando tô muito cansada (e não venha me dizer que você não!). Odeio acordar com o telefone ou a campainha tocando, e odeio que me acordem com barulho. Não gosto de coisas muito melosas, mas adoro surpresas. Já fui de planejar tudo, então quando algo inesperado acontece, faz eu perceber que passar a vida planejando já é quase não viver. Ainda assim, preciso aprender a ser mais impulsiva e espontânea. Odeio gente que se acha superior. Gosto de deitar em rede e adoooooooooro ficar de pijama o dia todo. Sou fisionomista, por isso fico chateada quando alguém não se lembra de mim. Às vezes ver uma pessoa passando na rua já é motivo prá eu me lembrar do rosto, e se meses mais tarde vejo essa mesma pessoa na rua, sei que a conheço de algum lugar, só não sei de onde. Mas se a memória é boa prá rostos, pra outras coisas é um fiasco! É bem comum eu esquecer o que estava dizendo, e isso me deixa irritada, fico tentando lembrar o que era por um tempão. Odeio que me julguem ou me rotulem, e não admito que me digam que não sou capaz. Acho que ninguém admite; todos nos sentimos um pouco desafiados quando duvidam de nós, e em consequência despertamos o pouco de teimosia que temos dentro de nós mesmos. Teimosia que substitui a autoconfiança quando esta não se mostra suficiente. Tenho saudade dos lugares e das pessoas que conheci, principalmente de Pomerode e Uruguaiana (as minhas Barbacenas). Admiro o orgulho que os Rio-grandenses têm do seu povo. Adoro o povo, a cultura e o sotaque gaúcho. Tenho muita vontade de voltar a morar no Rio Grande do Sul. Também acho o sotaque mineiro e o britânico extremamente charmosos! :) Se eu pudesse fazer um pedido impossível, pediria pra reunir e reencontrar todas as pessoas que já passaram pela minha vida (algo parecido com o final do filme "Peixe Grande"). Queria ter memória suficiente pra lembrar de cada detalhezinho do que já me aconteceu. Tenho um desejo MAIÚSCULO por chocolates. Adoro água de côco bem gelada no verão, e adoro massas, de qualquer tipo (já viu italiano que não goste?). Gosto muito de torta de limão. Acho que porque é o único doce que sei fazer. Não bem, mas digamos que sei. Gosto de vinho, de caipirinha, e de tequila. Mas bebo pouco, de verdade, não é só pra manter a aparência não. Não bebo cerveja, mas gosto do cheiro. Adoro cheiro de acetona, de esmalte, de chuva, de maçã verde, de cebola derretendo na manteiga... e de uma árvore que tem aqui, que solta um cheirinho bom no verão. Adoro flores amarelas. Aliás, adoro a cor amarela. Não sei porquê, mas adoro roupas cinzas. Elas sempre me parecem mais confortáveis. Sinestesia minha. Adoro perfumes masculinos, e homem cheiroso me conquista. Se disser que eu tô cheirosa, me conquista duas vezes. Adoro parques de diversão e desenhos animados. Adoro sentar no sofá e pegar no sono olhando Tom & Jerry com meu pai. Gosto de cinema realista, por isso tenho uma tendência a preferir filmes europeus. Adoro ir ao cinema sozinha. Adoro teatro, mas em Blumenau não tem muito, e quando tem é 50 reais por peça, aí fica difícil. Adoro as ruas e os parques de Curitiba. Um dia vou morar lá e levar meus futuros filhos pro parque Barigüi nos fins-de-semana, prá família ficar deitada na grama conversando e olhando os cachorros correrem soltos por aí. Adoro as palavras, e gosto de escrever. Sei me expressar bem melhor por escrito. Adoro ler, receber, escrever e mandar cartas - é sempre aquela magia pegar a carta do lado do destinatário e imaginar quem é o remetente :)Adoro sebos. É poderoso saber que alguém já folheou as mesmas páginas que você, já leu as mesmas frases, e quem sabe até já se emocionou com as mesmas palavras. Tento, realmente tento, lembrar das frases que leio nos livros prá poder citá-las mais tarde e parecer intelectual, mas não dá certo. Quando vou citar, esqueço o fim da frase, ou esqueço quem falou. Quase como contar piada, exceto porque nessa empreitada sou um pouquinho pior. Sou fã da literatura brasileira e já li bastante coisa, mas felizmente ainda tenho muitos livros prá conhecer, e felizmente nunca vou conhecer todos - o que me satisfaz, porque no dia em que eu não tiver mais o que ler, com certeza minha vida vai se tornar bem mais vazia. Odeio axé, pagode, funk, sertanejo, Charlie Brown Jr. e 'Bléc' Eyed Peas, fora isso sou bem eclética prá música. Se você conhece bandas novas, pode me apresentar. Não tenho medo de conhecer: por mais brega que pareça, pode ser que eu goste. De fato, adoro quando as pessoas me apresentam bandas, livros, filmes e coisas que ainda não conheço. Significa que elas, de alguma forma, lembraram de mim, e acreditam que podem acrescentar algo prá minha vida. Bom, eu adoro e odeio muito mais coisas, mas acho que essa descrição já mostra um pouquinho como eu sou, e do que gosto ou desgosto. Claro que não me traduz completamente, porque nem todas as palavras do mundo seriam capazes de descrever uma pessoa (além do mais, nem mesmo me conheço tão bem prá isso), mas é uma breve degustação da confusão e da miscelânea que são meus pensamentos. Penso sempre duas coisas ao mesmo tempo, e a segunda delas sempre é: ‘Preciso anotar isso!’, e da junção de vários ‘Preciso anotar isso!’ é que surgiu essa descrição.
estou nas palavras de...
FERNANDES, Millõr. Hai-kais. Porto Alegre: L&PM, 2007.
e nas páginas de...
1. Martha Medeiros - Coisas da vida
2. Martha Medeiros - Trem-bala
3. Marcelo Rubens Paiva - 'Feliz ano velho'
4. Marcelo Rubens Paiva - 'Blecaute'
5. Jorge Amado - 'Capitães de areia'
6. Jorge Amado - 'O país do carnaval'
7. Jorge Amado - 'Farda, fardão, camisola de dormir'
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